Temo o tempo dessas pessoas que cobiçam até o sangue do seu
próximo por causa do poder e da ganância. A necessidade da evidência.
Temo o tempo dessas pessoas ardilosas, vestidas em pele de
cordeiro que com os mesmos dentes que riem, mordem. Crueldade.
Temo, definitivamente, o tempo dessas pessoas que, acostumadas
à maldade, tornaram hábito a humilhação do próximo. Escárnio.
Em épocas de trevas fui vítima da perseguição da alma, tudo
o que disse foi usado contra mim; levei para casa fardo maior do que podia carregar.
Em dias de sol me preocupei com você, fui sua amiga,
companheira, confidente, colega de turma, de trabalho, de família, de vida.
Daqueles momentos bons e daqueles não tão bons assim...
Em dias de chuva fui leal, mas até meu sangue foi sugado porque
esses sentimentos deixaram, para você, de serem conquistados e sim, obrigados.
Em noites escuras ouvi, amparei, aconselhei e o seu sorriso
momentâneo foi a mordida do dia seguinte.
Em um dia sombrio cheguei a um ponto do caminho que percebi
que tudo o que eu tinha eram duas opções de direção: uma, de conviver com a
maldade insurgente, inerente à sua alma; outra, de saltar no abismo do
desconhecido, mas com a certeza de que toda essa bagagem que levava amorteceria
minha queda.
Em dia iluminado descobri que mesmo no abismo desconhecido o
que nos dá asas e faz voar é a leveza do coração. Hoje, o meu tem asas.
Dedicado em particular a Ana que assim como eu é “discípula”
de Lord Byron e a todas as pessoas que já passaram por situações controversas
sociais, profissionais, familiares e emocionais.
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