Em cada recomeço temos uma real oportunidade de mudança, mas não é óbvio recomeçar. Devido ao automatismo com que seguimos nossos compromissos diários, pouco reconhecemos nossa capacidade de zerar para dar um novo início.
Zerar a vida é uma decisão consciente, tomada quando resolvemos nos desprender da pesada carga que trazemos do passado.
Geralmente recomeçamos quando nos sentimos feridos.
Feridos, ressentimos ao toque alheio quando negamos sua tentativa de aproximação.
Em geral evitamos escutar o que os outros têm para nos dizer pois quando estamos reativos não temos espaço interior para escutá-las. Parece que já sabemos de antemão o que vamos ouvir e responder.
Dizemos interiormente não antes mesmo do outro se expressar, afinal, sob tensão interna, precisamos nos defender tanto dos ataques autodestrutivos que lançamos sobre nós mesmos, quanto da hostilidade externa que reflete a mesma indisposição que o outro sente ao ser pressionado.
O mais curioso é que, na tentativa de dominar o desconhecido, queremos tudo, saber de tudo. Mas claro, sem nos envolver. À medida que tememos ser trocados pelos outros, nos tornamos cada vez mais superficiais e pouco compromissados com a dor alheia. Ficamos isolados por nossas próprias mágoas.
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